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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Poesia horrível

Eu sinto falta de você
Eu sinto muita muita falta de você
Tudo bem lembrar que você me estrangulou
Lembrar dos sons das minhas costelas quebrando
Quando você me jogou no chão e me chutou
Deixando meu olho roxo e meu nariz sangrando
E isso tudo foi uma bosta
Mas eu me sinto pior agora
Prefiro ter um escroto arruinando meu dia
E jogando minha vida fora
A lidar com toda essa apatia
A me sentir vazio como eu estou agora

sábado, 15 de março de 2014

A Magia que Rege o Universo


Tipo, cara, eu sou bonito. Eu sei que eu sou bonito. Todo mundo sempre me elogiou por ser bonito, até as garotas. Eu sinto uma imensa satisfação quando eu vejo meus comentários nas minhas fotos do Facebook e percebo que uma imensa quantidade de pessoas me considera lindo. E me sinto melhor ainda quando, mesmo quando eu faço pedidos para que curtam minhas fotos, elas chegam milhares de curtidas, centenas de comentários e até alguns compartilhamentos. Eu gosto, e muito, de ser bonito. E, como qualquer pessoa bonita, eu também sou popular. Minha caixa de entradas no Facebook sempre está cheia de mensagens. As pessoas me chamam para festas, dão em cima de mim. Eu percebo até que a atendente da padaria me cumprimenta sorrindo, coisa que ela não faz com maioria dos rapazes. Acho que, além de bonito, eu devo ser meigo ou carismático. Eu me amo. Eu sou foda e as pessoas me reconhecem por isso. Eu posso ser uma lástima em maioria das atividades que as pessoas geralmente consideram comuns, mas aposto que me dão muito mais valor por ser bonito do que dão valor a essas pessoas que têm grandes conquistas. Eu sou um inútil, mas sou mais valorizado do que gente útil. É a vida. E eu gosto da minha.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Não Tem mais Graça


e não tem mais graça. e eu vou encontrar algo melhor.

quanto mais escrevo, menos escrevo.
porque quanto mais escrevo, menos tenho sobre o que escrever
porque o que eu quero escrever, já foi escrito.

assim é você.
quanto mais eu te afago
menos eu te amo.

um explorador não pode explorar o território o qual ele já explorou
um cozinheiro não pode ainda cozinhar a comida que já foi cozinhada
e eu não posso continuar te comendo

simplesmente porque não faz sentido e não tem mais graça.

sábado, 31 de março de 2012

Assim como Eu Esqueci


Isso não é sobre vingança
É só mais um perdão
Refazer nossa aliança
Já cansei dessa solidão

Não vamos mais ter esse problemão
Nunca, jamais, essa é a solução
Não vamos mais ter uma discussão
Nem olhar para trás, essa é a solução

Esqueça os problemas
Esqueça o que eu te fiz
Assim como eu
Esqueci

Que você pegou o meu coração
Pegou e jogou ele no chão
Se despedaçou em um milhão
E se espalhou de montão

Assim como eu esqueci
Que você estava rindo
No momento eu sofri
E você, se divertindo

Mas eu entendo
O que você fez
Estava fazendo
O melhor para você

E eu sei que você também
Está irado comigo
Mas você precisa relevar
Precisa esquecer

Assim como eu esqueci
Como eu esqueci
Assim como eu esqueci
De tudo o que

Relevei

sábado, 30 de julho de 2011

Brincandeira de Casinha


Laura, a irmã mais nova, se entretinha com Lego. Ela gostava de montar casas e pôr bonecos dentro, para fazer de conta que fossem uma família. Sua irmã mais velha, Bruna, a olhava ao mesmo tempo em que fazia os deveres da faculdade.

Certo dia, Laura montou uma casa não muito grande e bem colorida, porque ela tinha preguiça de procurar por peças da mesma cor. Ela admitiu lacunas onde deveriam ser a porta e as duas janelas. Usou peças pequenas para simular os móveis. Não montou um teto, pois seria trabalhoso demais. Por vaidade, ela quis mudar as cores das peças que formavam o corpo dos bonecos. Seus dedos acabaram ficando doloridos por ter de usar tanta força ao desmontá-las.

A família fictícia dela era composta por um pai, uma mãe e duas filhas. O pai trabalhava no lixão, que na verdade era o amontoado de peças que não estavam sendo usadas. As duas filhas estudavam na escola, atrás da cama, e a mãe era dona de casa.

A boneca mãe estava fazendo o almoço quando o marido chegou. “Chegou cedo hoje, querido”, ela disse. Então ele respondeu “Quero ficar mais tempo com a minha família”.  “E as meninas, vão vir pra casa como?”, ela indagou. “O ônibus escolar vai trazer elas”. Então as duas meninas entraram pela porta dizendo “Já estamos aqui, mamãe”.

Laura parou com a encenação. Ela estava com dificuldade em colocar a última garota dentro da casa. Não havia espaço suficiente.

-Droga! Ela gritou.
-Que foi? Perguntou Bruna, cessando o dever de casa por alguns instantes.
-Ela não tá entrando!
-Como assim, Laura? Me explica, pra eu ver se posso te ajudar. Bruna se levantou da escrivaninha para ver a brincadeira da irmã.
-Olha só! A menina não tá entrando dentro da casa!
-Não tem espaço para todos os bonecos, Laura. Você não vai conseguir colocar todos ao mesmo tempo.
-Essa casa é uma droga! Essa menina tá me irritando!

Laura começou a gritar, e chutou a casinha na parede, fazendo com que várias peças se soltassem. Depois fez bico e cruzou os braços. Ela odiava quando a família dela não ficava do jeito que ela queria.

-Calma. Não precisa fazer isso. Você pode continuar brincando.
-Eu não quero mais! Não tá do jeito que eu quero!

Então Laura pegou a casinha e desmontou-a inteira, arrancando todas as peças e jogando-as longe. Bruna balançou a cabeça em negação. Sua irmã mais nova era inacreditavelmente impaciente e controladora. Ou, como dizem, mimada.

-Laura... Não adianta você ficar brava com seus brinquedos. Os bonecos não se rebelaram contra você. Não foram eles que rejeitaram entrar na sua casinha. Foi você que montou tudo do jeito que estava. Para com esse escândalo e aceita as coisas do jeito que elas ficaram. Fico imaginando o dia que você estiver adulta e com uma família de verdade.


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Devorar


Releitura de uma música de Marilyn Manson

Devorar

Eu vou te tomar como
Se você fosse um grande gole de veneno
Eu sei que nunca deveria ter te colocado em minha boca
Mas agora te engolir é a única forma de descansar
Sua validade está terminando
E eu não estou tendo mais dores de cabeça

Eu sei que você está tentando me impressionar
Porque isso não são suas lágrimas, é o meu sangue

Eu vou te amar, se você não me esquecer
Eu vou te amar, se eu não for só mais um para você

Eu sentia os batimentos do seu coração
Sei que vou sentir saudades disso se fechar meus olhos
Mas mesmo quando abertos te vejo por toda a parte
E quando realmente for você, não vou conseguir me conter
Eu sinto que vou explodir seu coração em pedaços

Eu vou te amar, se você não me esquecer
Eu vou te amar, se eu não for só mais um para você

Minha dor não é vergonha
Eu passaria por tudo de novo
Te engolir é a única forma de descansar

terça-feira, 12 de abril de 2011

Você é o Culpado

A culpa é sua. A culpa é toda sua. Eu rejeito a minha culpa e a coloco em você. E vou te punir. Você não merece nada. Você não tem capacidade para nada. Vou rejeitar todas as suas ideias e questionamentos e vou impor as minhas. E vou te considerar inferior e incapacitado por pensar diferente de mim. Você sabe o que discordar de mim e me questionar significa? Vou te considerar sem mentalidade, influenciável, sem maturidade. Vou te considerar incapacitado. Porque se você discorda de mim você não tem capacidade para fazer nada direito.

Eu invento um livre arbítrio que não existe para te culpar. Vou falar que tudo o que eu te fiz, na verdade foi escolha sua. Desde que você nasceu eu vejo que você não tem atitude para nada, que você não pensa por si próprio, que você não sabe fazer escolhas. E vou ficar repetindo isso até você aceitar, porque eu quero que você pense igual a mim. E depois, todas as consequências que isso acarretar, vou dizer que foram escolhas suas. Eu quero te moldar. Eu quero te forçar a ser algo que você não é. Quero que você aceite como verdade o que eu aceito como verdade, eu quero que você seja igual a mim, eu quero que você faça parte de mim. Mas não quero pensar nas conseqüências que isso acarreta na sua personalidade. Vou falar que tudo foi escolha sua, e que minhas punições são consequências delas.

Vou excluir toda a realidade. Vou fechar minha mente. Vou aceitar como verdade absoluta algo que nem sempre é verdadeiro, e vou aceitar ser influenciada por aqueles que demonstram mais poder. Vou dizer que o meu caminho é a luz e que todo o resto é lixo e não presta. Qualquer pessoa, para prestar, tem que pensar igual a mim. Por isso que você não presta, e eu vou te punir por isso.

Por quê? Por quê? O culpado de tudo isso é você. Você que não quis ser igual a mim. Você que quis ser burro, e me questionar, e discordar de mim. Você não pensa. Você não tem atitude. Você não sabe escolher. Você é o culpado. Você é o culpado. Você é o culpado. Você é o culpado.

Não adianta o que você disser, eu vou repetir isso inúmeras vezes. Vou repetir até os seus ouvidos sangrarem e você ficar surdo, ouvindo somente a minha repetitiva voz: Você é o culpado. Você é o culpado. Você é o culpado. Você devia pensar igual a mim. Você devia ser igual a mim. Você devia ser minha continuação. Eu te criei para que você fizesse parte de mim. Por que você tem que pensar diferente? Por quê? Você é o culpado. Você é o culpado. Você é o culpado. E ai de você se você colocar essa culpa em mim. Aí eu vou te odiar. Vou te odiar muito. Vou brigar com você o tempo inteiro. Vou sempre te jogar na cara. Porque você pensa diferente de mim, e por isso eu te considero inferior, burro, sem mentalidade, sem maturidade. Por que você quis pensar diferente? Agora você é o culpado por isso. Você é o culpado. Você é o culpado.

Você é o culpado. Toda a culpa é sua. Eu te culpo. Eu te acuso. Você errou. Você sempre erra. Toda a culpa é sua. Você é o culpado. Você é o culpado. Você é o culpado. Eu te culpo. Você está errado. Você é errado. Eu te acuso. Eu te culpo. Você deu errado. Não era para você ser assim. Você está errado. Você é o culpado. Você é o culpado. Você é o culpado.



Desculpe-me, Aci. Desculpe-me. Você não sabe como eu me arrependo. Arrependo-me de pensar diferente de você. Arrependo-me de ser quem sou. Arrependo-me de respirar.

Eu não queria ter nascido. Eu queria ter sido abortado. Desculpe-me, Aci. Desculpe-me.

Eu sou tão problemático... Por que não aceito pensar como você? Porque não discarto minhas ideias, meus questionamentos, minha vida... Para viver o que você quer que eu viva? Eu queria, muito, muito, ser o seu complemento. Fazer parte de você. Eu queria que minhas escolhas fossem as suas escolhas. Eu não queria pensar, eu queria que você pensasse por mim. Assim eu ficaria em paz. Assim eu te deixaria em paz. Mas não consigo. Não consigo viver assim.

Desculpe-me.

Eu sou o culpado por tudo isso. Eu sou o culpado. Eu sou o culpado. Por que você não me pune de uma vez? Por que você me tortura tanto? Por que fica jogando na minha cara todos os meus erros e falhas?

Por que você não me pune de uma vez? Não vou fugir, não vou discordar, não vou pedir socorro. Eu vou deixar que você me puna. Eu quero que você me puna. Eu quero que você me bata, me esmurre, me ataque. Eu quero que você bata em mim com a vara, eu quero que você me derrube no chão. Eu quero que você pule em cima de mim, eu quero que você pule em cima de minhas costelas. Eu quero que você quebre minhas costelas, e assim eu ficarei sem ar, e não poderei mais te questionar. Eu quero que você me suje, eu quero que você me faça sangrar. Eu quero que você pise em mim, eu quero que você pise no meu pescoço. Eu quero que você me humilhe, eu quero que você me faça sofrer. Eu quero que você me puna. Alivie-se em mim, eu sou o culpado. Eu sou o culpado. Eu sou o culpado.

Eu não mereço nada. Eu não mereço o seu amor, eu não mereço o seu carinho, eu não mereço a sua paciência. Eu não mereço nada. Eu destruo tudo, eu acabo com tudo. Eu sou ingrato, não dou valor a nada. Acabe com tudo isso de uma vez. Pare de me torturar emocionalmente. Quantas vezes eu vou ter que pedir para que me puna? Eu quero ser punido. Eu quero sentir dor. Eu sou o culpado. Eu sou o culpado. Eu quero ser punido. Eu quero sentir dor. Assim serei liberto dessa tortura infernal.

Desculpe-me, Aci. Desculpe-me.

Eu sou o culpado. Toda a culpa é minha. Eu me culpo. Eu me acuso. Eu errei. Eu sempre erro. Toda a culpa é minha. Eu sou o culpado. Eu sou o culpado. Eu sou o culpado. Eu me culpo. Eu estou errado. Eu sou errado. Eu me acuso. Eu me culpo. Eu dei errado. Não era para eu ser assim. Eu estou errado. Eu sou o culpado. Eu sou o culpado. Eu sou o culpado.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A História do Renan


Nós estudamos por anos no mesmo colégio, mas eu só o conheci quando estávamos no final do terceiro ano do Ensino Médio. Ele era um rapaz legal, e logo após algumas conversas já havíamos nos tornado grandes amigos, tomando conhecimento um dos segredos mais íntimos do outro. Começamos a sair juntos e conhecemos, em nossas noitadas, vários dos melhores bares e baladas de São Paulo, além de termos ido a várias festas nas casas de nossos amigos. Eu sempre me dei muito bem com o Renan, nós até nos beijamos uma vez, estávamos bêbados. Aí você me pergunta: "Ué, mas você não o beijaria mesmo estando sóbrio?" E a resposta é: Não! Por dois motivos. O primeiro é que eu evito o máximo possível de me relacionar assim com qualquer amigo. Beijar alguém com quem você tem intimidade, mas com quem não cogita ter um relacionamento sério é um grande problema. E o segundo motivo é que eu não gosto de beijar rapazes heterossexuais, e o Renan é heterossexual. Inclusive posso dizer que a sua gula por bucetas era a única coisa nele que me deixava irritado. E foi por causa de uma buceta que a nossa amizade terminou, ao menos da forma como ela era antes.
Nós havíamos ido à casa de Huguinho, Zezinho e o terceiro nome eu me esqueci. E sim, esses são os nomes dos sobrinhos do Pato Donald. Tratava-se de amigos meus, trigêmeos, apelidados dessa forma. Eles estavam dando uma festa em casa e convidaram dezenas de pessoas, e eu tomei a liberdade de chamar Renan. A festa estava transcorrendo bem, pelo menos a parte que eu me lembro, até chegar Raffaela. A Raffa é uma moça legal, nós conversamos até hoje. O único problema dela não era bem ela, mas o namorado dela, um cara estranho, cujo nome também não me lembro de agora, que é, ou pelo menos era, traficante. E ele era conhecido por ser matador. E como a Raffa sempre foi uma menina bem apanhada, previ que o Renan iria arranjar problemas, e o avisei o mais cedo possível para não se meter com ela. Foi em vão. Se eu disse que o único problema da Raffaela era o namorado, menti. Ela é amaldiçoada por um desejo de adultério sem igual. E pelo que Renan me disse na própria festa, ela tinha terminado o namoro com o traficante, e ninguém ficaria irritado se eles ficassem um com o outro. Devo dizer que Renan caiu na tentação. E que ele saiu da festa de ambulância, baleado na cabeça por um amigo do traficante. Infelizmente, ele não morreu, mas o seu cérebro ficou terrivelmente comprometido.
Nós ainda somos amigos, às vezes saímos para conversar, comer um lanche, mas nunca mais tive uma conversa legal com ele. E obviamente, nunca mais fomos a festas... E Renan provavelmente têm se aliviado agora somente com a própria mão ou com garotas profissionais. Esse é o preço que ele pagou pelo deslize que ele cometeu. Foi a forma que o traficante encontrou para fazer justiça.

sábado, 6 de novembro de 2010

As Duas Faces do Amor Incondicional

Minha primeira postagem que não é um texto. Para ver melhor, clique na imagem:
Os personagens não existem, são fakes.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Simbolismo Negro


 Você sente o sangue fervendo em suas veias. Sua visão embaça, e você fica sem saber o que fazer. Sente o sangue bombeando dentro da sua cabeça. Sua respiração fica ofegante. Você aperta tanto os seus pulsos que eles chegam a doer. Se visse seu rosto no espelho, provavelmente ele estaria vermelho.

 Alguma coisa acontece dentro da sua cabeça. Você fica sem paz. Você fica revoltado. Você fica furioso. Sente como se houvesse um parasita dentro do seu cérebro, fritando e depois comendo seus neurônios. E ele comanda todos os seus atos.

 Quando você volta a si mesmo e olha para trás, vê um rastro de destruição. Acabou com tudo o que havia sido construído. Quando você retoma seu autocontrole, vê assolados todos os seus objetivos, seus sentimentos, seu relacionamentos.

 Você destrói a si mesmo. Como um arranha-céu sendo construído por tentáculos escuros de crueldade. Bloco sobre bloco, eles vão se erguendo e ficando mais altos. Mas ao mesmo tempo, para se movimentarem dentro do prédio, eles acabam destruindo andares inferiores. Porém eles não param de subir. Só vão se equilibrando para não irem ao chão. Construindo para chegar a lugar nenhum. Destruindo para se manter vivo. Assim como você faz com sua vida.

 Às vezes, uma gota de água fresca penetra no seu cérebro, afastando o verme por alguns segundos. Você vê que o que tem acontecido não é bom. Deveria ser diferente. Você gostaria que fosse diferente. Você até se disporia a fazer tudo diferente, começando do zero. Mas logo o parasita retorna e frita os seus neurônios. Você sente seu sangue quente em suas veias novamente. Você volta a enxergar embaçado. Fica furioso e retoma sua auto-constru-destruição.

 Como se houvesse um monstro dentro de você. Construindo coisas e depois as destruindo por diversão. Todos os seus relacionamentos, sentimentos e objetivos partidos em milhares de pedaços. Você se importaria, se tivesse tempo. Mas o monstro te impede de pensar. Não te deixa sentir culpa. Ele só quer continuar destruindo. E você não está mais nem aí com sua própria vida, enquanto o monstro comanda ela. E você não consegue se livrar desse monstro, por que não é você que toma conta dele. É ele que toma conta de você.

 Você pode achar que os tentáculos de crueldade destroem o seu prédio, por isso são ruins. Mas na verdade, o objetivo deles é só construir. Eles só tentam te proteger, te trazer progresso. É que o meio que eles encontram para fazer isso é destrutivo. Eles aumentam sua altura, mas para isso destroem sua fundação. Acabam destruindo o que construíram. Mas o objetivo deles era só proteger o seu prédio.

 O parasita entrou na sua vida naquele dia em que o cão te mordeu. Na hora você não percebeu, mas os vermes dos dentes do cachorro penetraram em seu sangue. Por isso que você sente suas veias quentes. Depois ele acabou indo para o seu cérebro para fritar e comer os seus neurônios. Aí os tentáculos de crueldade mudaram totalmente o seu prédio, construindo o topo e destruindo a fundação. E o que você pode fazer? Nada. O monstro que te controla, não é você que controla ele.

sábado, 28 de agosto de 2010

Amor Eterno

-Oi querida.
-O que você quer? Eu já não disse que não era mais para falar comigo?
-Por favor, me deixe entrar. Eu só quero conversar um pouco.
-Não, não vou deixar. Nós não temos mais nada um com o outro.
-Não quero falar sobre nosso relacionamento. Por favor, abra a porta.
A mulher bufou. Mas o deixou entrar. O rapaz andou um pouco pela sala antes de se sentar no sofá.
-Você parece confiante, diferente da última vez...
-É que eu vi que você estava certa. Não há como restituir o nosso relacionamento.
-Que bom que você percebeu isso. Mas por que veio aqui?
-Eu só quero me abrir com você.
A mulher deu passos leves e se sentou ao lado dele.
O rapaz pegou a carteira do bolso e tirou algumas fotos de dentro, para ficar olhando.
-Você quer falar sobre a sua família?
-Não. Eles não são a minha família.
-Então, quem são?
-São pessoas que eu matei. Eu sou um assassino. – Ele riu. Ela riu depois dele.
-É sério, quem são... – Ela começou a dizer, mas não pôde terminar, pois seu celular tocou.
-Desculpa, você pode esperar um pouco?
– Tudo bem.
- Alô. Não. Aqui não tem ninguém com esse nome. Tudo bem.
-Foi engano?
-Foi sim. Odeio quando acontece isso.
Ela colocou o celular sobre a mesa. Cruzou as pernas e repousou as mãos sobre elas, pronta para ouvir o rapaz. Mas ele não olhou para ela. Ele simplesmente pegou o próprio celular e ligou para um número que ela não pôde ver.
-Alô? Oi cara. Sabe aquela minha ex? Não estou conseguindo falar com ela. Acho que nem vou voltar aí, vou direto pra casa. Tá bem. Falou.
-Por que você disse que não conseguiu falar comigo?
-É que eu não quero que fiquem sabendo que eu vim atrás de você outra vez.
-Ah sim... Você ainda não me disse o motivo de vir aqui.
-Ah, sinto muito. Os últimos dias têm sido tão difíceis para mim...
Repentinamente, como se já tivesse em mente o que faria, o rapaz se levantou, pegou de cima da mesa o celular da mulher e o jogou na parede, fazendo-o partir-se em vários pedaços.
-Ei! Por que você fez isso?
-Fiquei com vontade.
A mulher se levantou e deu alguns passos para trás.
-Acho melhor você ir embora. Eu preciso dormir cedo. Vou trabalhar amanhã. - Ela disse.
-Sinto lhe informar, mas não vai não.
A mulher se virou e tentou correr para fora da casa. Mas o rapaz a alcançou e a sufocou até ela perder a consciência.
Quando ela acordou, estava nua, com os pés e as mãos presos a uma mesa por algemas.
-Pare com isso! O que você quer de mim?!
-Eu queria o seu amor.
-Você vai conseguir amor me estuprando e me matando?!
-Prefiro ver minha amada morta a ser rejeitado por ela. E não se preocupe, eu não te estuprarei.
-Você vai ser pego! E vai para a cadeia!
-Não vou não. Sabe aquelas pessoas das fotos? Elas já estiveram no seu lugar. E eu ainda estou com a minha ficha limpa na polícia.
-Você é doente! Por que fica conversando comigo?! Por que não me mata logo?!
-Você tem razão. Eu sou doente. E eu queria me divertir um pouco, depois que você me largou. Por isso não te mato logo.
-Eu pensei que podia confiar em você...
-Você podia. Se não tivesse me largado.
Depois de dizer isso o rapaz passou a mão no rosto dela. Ela começou a chorar alto, em agonia. Então ele se levantou, pegou um pano e a amordaçou.
A visão da mulher estava turva por causa das lágrimas, mas ela conseguiu ver seu ex-namorado encostando um martelo na testa dela. Então ele disse:
-Só vai doer um pouquinho.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Abismo


Eu estou aqui. Deitado na água quente da minha banheira. Ouvindo o Canon em ré menor de Pachelbel, no meu aparelho de som de ponta. Qualidade máxima. Estou tranquilo. Vendo o vapor subir da água, embaçar o espelho do meu banheiro. E admirando a decoração do mesmo. Afinal, contratei um decorador somente para fazer isso. A espuma também é muito relaxante. Eu não poderia estar em um lugar melhor. A água quente envolvendo meu corpo, me tranquilizando. Estou com um livro em mãos, mas não estou lendo agora. Também tenho uma cesta com frutas, uvas claras e escuras, maçãs, peras. Tudo ao meu dispor. Se eu quiser alguma coisa fora disso, posso chamar minha empregada para me trazer. Eu tenho tudo o que quero.

E o melhor de tudo, estou sozinho. Sem pessoas menores, como você, por perto de mim, para me invejarem e falarem de mim. Aposto que você não tem nem uma banheira em casa. Quem dera tivesse uma suíte como eu. Provavelmente seus banhos são rápidos e você mal fica debaixo da água. De baixo da água, por que com certeza é um chuveiro comum. Quando sai do banho, se embrulha em uma toalha mofada e passa frio até se trocar. Muito frio, por que estamos no inverno gelado, e você não tem a sorte de ter uma casa quente e uma banheira aquecida, como eu.

De sábado, você provavelmente sai com seus amigos favelados para um bar. Bebem até passarem mal. São pessoas sem estilo nenhum e sem propósitos na vida. Eu, aos sábados, vou com minha família a algum teatro para assistir uma peça bem comentada ou até mesmo uma ópera.

Você, aos fins de semana, vai a baladas toscas e se prostitui, beijando várias pessoas diferentes. E a propósito, feias. Meus romances são de qualidade totalmente superior. Ou eu vou à casa de minha namorada, ou ela vem à minha. Ela é linda, vai a salões de beleza, se produz. É a perfeição. Pois ela também tem dinheiro, assim como eu, e diferente de você e das pessoas que a vida de baixa sociedade o força a passar as noites com.

Minha vida é totalmente diferente da sua. Eu tenho dinheiro, tenho luxo. Não passo necessidades, tenho sempre conforto máximo. E você nunca tem nada. Passa frio, talvez fome, não tem condições de ter tudo o que deseja. Ainda bem que eu não tenho que me preocupar com pessoas do seu nível. Continuo aqui na minha banheira aquecida, apreciando minha própria vida. Não me importo com pessoas como você. Gentalha inútil. Agradeço por estar afastado de toda essa vida desclassificada, repugnante e medíocre que você leva.

Macacos das Neves, minha fonte de inspiração para o texto

domingo, 18 de julho de 2010

O Príncipe na Armadura Reluzente

O jardim do castelo de meus pais é lindo. Ele é cheio de flores de todas as cores, que deixam seu doce perfume no ar. A luz do sol penetra por entre as copas das árvores, aquecendo minha pele. Eu sentada em uma escada de mármore, na passagem que leva do portão da muralha à entrada do castelo. Escutava o vento balançando as árvores e os pássaros assoviando encantadoras melodias. De vez em quando dava para ouvir vozes de súditos discutindo alguma coisa no pátio, e, ao fundo, uma voz grave gritando ordens. E também, o som de... Um cavalo relinchando. Em dias normais, não era para haver cavalos dentro dos muros do castelo. Isso só podia significar uma coisa. O príncipe havia chegado.

Levantei as várias camadas do meu vestido azul e saí correndo o mais rápido que pude – ainda assim a passos curtos – para encontrá-lo. Deparei-me com ele, ainda passando pelo portão da muralha, montado sobre seu cavalo, um Puro Sangue Árabe de cor negra. Ele estava usando uma armadura prateada que reluzia à luz do sol. Por mais que ele usasse elmo e eu não pudesse ver seu rosto, eu sabia que era ele, o meu príncipe encantado. Ele falava com um soldado do portão, até que se voltou a mim. Ao me perceber, ficou estático. Então ele levou as mãos à cabeça, retirou o elmo e balançou seus longos cabelos loiros ao vento. Ele estava mais lindo do que nunca. Seu queixo fino, seu rosto triangular, seus olhos profundos e seu nariz delicado, todos seus traços de bebê continuavam explícitos depois de anos.

Ele levantou a mão direita para mim e disse:
-Saudações, princesa. Cada vez que te vejo, está mais bela do que antes. Se não for incômodo agora, eu gostaria de dar uma volta pelo reino contigo.
-Mas agora, sem avisar mamãe e papai? – Minhas palavras com que ele recuasse um pouco.
-Se não for incômodo, é lógico – Ele disse, abaixando a cabeça, e seus olhos fixos em mim, me olhando com um sorriso travesso.
-É lógico que eu aceito.
Eu sorri. Não queria dar esse furo com o príncipe da minha vida.
-Que bom.
Então eu peguei sua mão e ele me puxou para a parte de trás do cavalo. Ele colocou o elmo novamente, deu uma meia volta com seu Puro Sangue Árabe, fez um sinal para o guarda e puxou as rédeas.

Fora do castelo, o cavalo corria a máxima velocidade. Eu me segurava na parte estreita da armadura do príncipe, na altura da barriga, para não ser jogada para o lado pelo sacolejo do cavalo. Meu cabelo voava ao vento e meus olhos se cerravam ao serem machucados pelo vento. O príncipe se mantinha ereto sobre o cavalo. Diferente de mim, ele pouco balançava. Passamos por toda a parte rural do reino, as casinhas de pedra e madeira dos plebeus, as grandes plantações coloridas que geravam alimento para toda a população. Chegamos aos limites entre a área habitada e a floresta. Ele continuou conduzindo o cavalo pela estrada de terra entre as árvores do bosque. Acabamos saindo do caminho principal, pegando uma trilha quase imperceptível no meio da vegetação. Ele parou o cavalo em frente a uma casinha de madeira no meio do nada. A clareira onde nos encontrávamos era limpa e cheia de flores. A luz do sol penetrava por entre as copas das altas árvores que nos cercavam. O ar era fresco, era gostoso respirar ali. Não era possível ouvir nenhum som, fora os da natureza: a civilização estava longe.

Ele desceu do cavalo, e depois me ajudou a fazer o mesmo. Estávamos um de frente para o outro quando ele tirou o elmo e pegou em meu queixo, aproximando nossas faces. Ele disse “Eu te amo, te amo muito”, e eu respondi “Eu também”, antes dele pegar em minha nuca e começar a me beijar. Eu também tentei pegar em sua nuca, mas a armadura me atrapalhou. Ele deu alguns passos para trás e desprendeu as cintas que firmavam a armadura, deixando-a cair no chão e mostrando uma cota de malha. Depois, tirou também a cota, revelando um corpo definido, forte, digno de um príncipe dos sonhos.

Ele disse:
-Amo-te demais. Vejo-te todas as noites em meus sonhos. Por muito tempo, fiquei contando os segundos para te ver novamente. Não sei o que faria se não tivesse o teu amor.
Fiquei sem o que responder. Não me vinha à mente nada o que eu pudesse falar. Aproximei-me dele, com o intuído de dar-lhe um beijo. Eu não poderia estragar o clima naquele momento. Mas minha insegurança não me permitiu encostar meus lábios nos dele.

Minha sorte que ele fez isso por mim. Ele me pegou de uma maneira difícil de descrever. Senti-me como se fosse posse dele. Ele levou as mãos nas partes mais sensuais do meu corpo. Ergueu meu vestido. Foi me levando para dentro da pequena casinha. Eu tive uma sensação estranha, mas não podia furar com ele. Ele sabia o que estava fazendo. E nós nos amávamos. Se alguma coisa fosse acontecer lá, já estava na hora.

Enquanto nos beijávamos, ele tirou a parte inferior da armadura, e depois a parte inferior da cota de malha, ficando somente com sua roupa íntima. Eu me deixei cair sobre a cama que havia lá. Ele foi colocando as mãos nas minhas coxas e erguendo meu vestido, até eu me encontrar inteiramente nua, e ele também. E aí rolou.

Eu me sentia nas nuvens. Estava plenamente satisfeita. Meu coração se enchia de amor e de prazer. Ele era tudo para mim. Meu príncipe da armadura reluzente. Minha fortaleza. Meu amor.

Quando tudo estava acabado, e meus pensamentos tinham se organizado novamente, eu estava deitada na cama. Vi a mancha de sangue sobre o lençol. Eu não era mais virgem. Mas pelo menos fiz isso com alguém que, naquela hora, eu tinha certeza que me amava.

Então olhei pela janela e vi o meu príncipe lá fora, já com a armadura vestida.

Ele disse “Meio bobinha, mas deu pro gasto” antes de montar no cavalo e ir embora, me deixando sozinha lá.