quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Refração


Estou observando um horizonte cinzento ao pôr do Sol. O tempo passa ao meu redor, e as pessoas estão retornando aos seus lares. Eu não tenho um lar para voltar. O Sol não pode se pôr para mim.

Estou observando um horizonte cinzento ao pôr do Sol. O tempo passa ao meu redor, mas não passa dentro de mim.

O que você está fazendo? Ele diz. Mas meus olhos turvos não conseguem distingui-lo direito. Eu tenho que retornar à minha tarefa. O que você está fazendo, ein, mano? Ele diz. Eu olho para ele.

Meu coração quebrou. Meu coração quebrou, mano.

E agora, mano? Ele diz. Eu posso te ajudar?

Sim, eu trouxe cola. Olha aqui. Cola sempre conserta tudo, na falta de mães. Eu olho para ele. Confuso? Como pode não entender? Mães consertam tudo. Mas nem todos têm mães, e não se pode arranjar uma em qualquer lugar. Mas eu tenho cola, e ela tem o mesmo efeito.

E agora, mano? Ele diz. Como eu posso te ajudar? Você sabe... Com a cola? Onde eu passo?

Não passe. Só inale.

Estou andando sozinho na calçada. Cercado por prédios deteriorados, que um dia não existiam fora dos projetos de um arquiteto. Pessoas haviam comprado apartamentos antes deles estarem prontos.

Estou andando sozinho na calçada. Cercado por ruínas do que um dia foram sonhos.

Quando seu coração quebrou? Ele diz. Mas minha mente confusa não consegue recordar quem ele é. Eu tenho que retornar aos meus pensamentos. Quando seu coração quebrou, ein, mano? Ele diz. Eu tento lembrar dele.

Ele nunca esteve inteiro. E agora mesmo, ele está em chamas, mano.

E agora, mano? Ele diz. Eu posso apagar?

Não, é uma má ideia. Olha aqui. Mães, lares, todas essas coisas. Eu olho para ele. Confuso? Como pode não entender? Nada disso nunca foi real. Foram só sonhos. E agora restam só ruínas, em chamas. Restam só cinzas. Resta só essa fumaça que me sufoca.

E agora, mano? Ele diz. Como eu posso te ajudar? Você sabe... Apagar esse fogo? Acabar com a fumaça?

Não apague. Só inale.

Estou virando a cabeça para vomitar. Não posso vomitar em mim mesmo. Ficaria sujo, fedido. Mas por que as pessoas não querem ficar sujas e fedidas? Para agradar aos outros? Então eu não preciso virar a cabeça.

Estou virando a cabeça para vomitar. Não posso continuar vivendo em mim mesmo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A Grande Festa da Vida


Perfeição
Você sabe o que significa perfeição?
Para mim, perfeição é amar
E poder declarar esse amor para todos
E concretizar esse amor em uma grande cerimônia
Em uma grande festa
Na grande festa da minha vida

Grande!
Tinha de ser grande!
Grande para poder mostrar minha intenção
Em tentar mostrar a grandeza desse amor
Tentar mostrar
Porque na verdade esse amor não tem tamanho

O salão tinha de ser imenso!
Não uma igreja, mas uma catedral!
Uma orquestra de cem homens para tocar nossas músicas!
Assentos o suficiente para milhares de convidados;
Que dançariam juntos, sincronizados, na hora da festa

O banquete
E o banquete, então!
Pães, queijos, frios, salgados,
Frutas, brigadeiros, bolos, chocolates,
Lasanhas, pizzas, nhoques, risotos,
Martini’s, coquetéis, licores, vinhos,
Frangos, perus, leitões, carneiros!

Tudo servido na mais grandiosa mesa
Para unir toda família, parentes e amigos
Celebrando a mais grandiosa união entre dois amantes
A mais grandiosa mesa, coberta pela toalha branca
Decorada com flores, também brancas
E toda a prataria
Prataria na qual consigo me ver refletido
Refletido todo o brilho do meu sorriso
Todo o brilho da minha alegria

Todo o brilho da minha alegria.
Deixo para trás o salão, a gulodice e a vaidade
Desço todo a escadaria, por baixo dos imensos arcos
É noite, mas o jardim é bem iluminado
As estrelas, a brisa, o cheiro suave das flores
Tudo colabora para minha tranquilidade

Refiz o caminho, aquele caminho
Caminho pelo qual passaríamos
Para chegar até o salão de nossa cerimônia
Refiz o caminho, verificando cada milímetro
Para ter certeza de que tudo estaria perfeito
Para a nossa grandiosa festa

Havia um labirinto vivo no meio do jardim
Era vivo porque era feito de arbustos
Entrei, deixando o cheiro da noite me guiar
A cada passo que eu dava, estava mais perdido
Mas estava tranquilo, tranquilo até demais
Porque logo a festa começaria
E todos os convidados chegariam
E acabariam me encontrando

E acabariam me encontrando.
Mas eu estava errado, alguma coisa faltava
Alguma coisa muito importante em um casamento
Faltava um noivo.
Como eu poderia me casar se não tinha um noivo?
Todos aqueles preparos de nada valiam

Eu perdi muito tempo me preparando
Construindo o meu próprio mundo
Dentro de mim mesmo
E esqueci de me aventirar, de viver,
E de procurar alguém com quem dividir isso tudo
Agora, não havia mais ninguém, e eu estava sozinho
Sozinho e perdido, perdido para sempre
Dentro do labirinto que eu mesmo construí

Dentro do labirinto que eu mesmo construí.
Com meus próprios sentimentos
Com todo o meu sentimento de medo
Com todo o meu rancor
Toda a minha ansiedade
E a minha paixão

E agora eu estou perdido
Perdido na minha existência
Existência inacabável
Existência imensurável
Existência ininteligível
Existência incompreensível

Perfeição
Perdido,
Perdido dentro de mim mesmo.


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Várias Pessoas, uma Única Existência

João era perfeitamente medíocre. Havia momentos em que tinha vergonha de si mesmo. Queria esconder quem ele realmente era. O seu passado vergonhoso, aquela mania estúpida, aquele medo irracional, aquela frustrante incapacidade de fazer aquela tarefa com a qual todos tinham facilidade. Tinha vergonha de seu pai, que não chegara a conhecer. Tinha vergonha de sua mãe, que de tão simples, mal sabia escrever. Tinha vergonha de si mesmo, por todas as coisas que seus pais deveriam ter-lhe ensinado quando era criança e que lhe faziam falta como adulto.

Antônio tinha o pé torto. Era gago. Vesgo. Não sabia tocar violão. Não falava inglês. Suas acnes lhe incomodavam. Queria ser mais baixo, pois acreditava que sua imensa estatura era responsável tanto pela sua aparência desengonçada quanto pelo fato dele ser desastrado.

Francisco tinha medo de fazer novas amizades. De que o achassem estranho. Tinha medo de falar besteira e passar vergonha. De falar alto demais e incomodar as pessoas. De acabar gargalhando e todos perceberem quão esquisita era a sua risada. Tinha vergonha de seu mau hálito. Simplesmente não conseguia conversar, pois as palavras certas não lhe vinham à boca, e suas tentativas de diálogo se resumiam a momentos de intenso e inoportuno silêncio.

Luiz não tinha namoradas. Não conseguia se aproximar de garotas. Não sabia o que falar. Muitas o achavam feio. Outras não gostavam de sua voz. Ele não sabia beijar direito. A garota com quem ele perdeu a virgindade contou para as amigas que ele era sem-graça, ruim de cama.

Quando fez dezenove anos, Paulo tentou arrumar um emprego. Era vendedor de uma loja de móveis. Quanto mais ele vendesse, mais dinheiro conseguiria. Mas no final, ele nunca conseguiu muito com isso. Seus colegas de serviço eram bem melhores do que ele. A agonia que tinham por vender mais do que os outros acabou fazendo com que Marcos ficasse para trás e fosse rebaixado para a área de assistência técnica da loja.

A aposentadoria da mãe de Manoel mal dava para comprar os remédios que ela precisava. Ela acabou ficando muito doente. Ele a levou à cidade grande e procurou um médico. Ela precisou ser internada. Mas a fila de espera para receber a cirurgia era tão grande que ela faleceu antes de ser tratada. Ele estava sozinho. Sem ninguém para ampara-lo, sofrendo as constantes punições e humilhações da vida. Até que encontrou Ana.

Márcia era mediocramente perfeita. Havia momentos em que tinha orgulho de si mesma. Queria que o mundo a visse da forma que ela queria. O seu futuro brilhante, as suas nobres virtudes, as suas iniciativas proativas, aquela invejável disposição de fazer as tarefas das quais todos tinham preguiça. Tinha orgulho de seu pai, que mesmo sendo divorciado e morando longe, ajudava financeiramente a filha. Tinha orgulho de sua mãe, que mesmo sendo simples, sempre fez de tudo para ver Joana bem. Tinha orgulho de si mesma, por todas as coisas que seus pais deixaram de lhe ensinar ela conseguiu aprender com a vida.

Francisca era encantadora. Tinha a voz bonita. Olhos verdes. Cantava bem. Conseguia se expressar bem. Seu olhar era profundo. Gostava de ser alta, pois chamava a atenção dos rapazes para o seu belo corpo.

Adriana tinha amigos. Eram estranhos, mas eram amigos. Falavam besteiras juntos, passavam vergonha juntos. Falavam alto e atazanavam uns aos outros. Quando estavam reunidos, gargalhavam tanto que até perdiam a voz. Eles simplesmente se davam bem. Não precisavam de uma ocasião especial para se encontrar, nem de um assunto para conversarem. Falavam sobre trivialidades e se sentiam bem com isso.

Antônia não tinha namorados. Não queria saber de compromissos, preferia aproveitar a vida. Alguns rapazes a pediram em namoro, mas ela não queria nada sério. Ela não gostava de rotular seus relacionamentos com palavras como “amigo”, “ficante” ou “namorado”. Ela gostava mesmo era de ter companhia e de poder fazer o que quisesse quando quisesse e com quem quisesse.

Quando fez dezenove anos, Sandra tentou arrumar um emprego. Era vendedora de uma loja de eletrônicos. Quanto mais ela vendesse, mais dinheiro conseguiria. Mas no final, ela nunca conseguiu muito com isso. Seus colegas de serviço eram melhores do que ela. Mas por outro lado, ela lidava bem com as pessoas, e isso não passou despercebido aos olhos de seu chefe. Patrícia foi promovida para a área de assistência técnica da loja.

A aposentadoria da mãe de Vera mal dava para comprar os próprios remédios, e por isso ela ficou muito doente. Ela a levou à cidade grande e procurou um médico. A mãe precisou ser internada. Mas a fila de espera para receber a cirurgia era tão grande que ela faleceu antes de ser tratada.

Josefa orava a Deus por sua mãe, desejando que ela estivesse em um lugar melhor, descansando, livre de todos os sofrimentos terrenos. Mas afinal, a jovem estava sozinha. Sozinha... Até que encontrou Carlos.

Eles formavam um casal perfeito. Completavam um ao outro. Logo no início do relacionamento já tinham planos. Iriam se casar, formar uma família, ter filhos. Trabalhar, juntar dinheiro, dar festas e fazer viagens. Juntos, iriam observar as nuvens e as estrelas. Sentariam lado a lado na praia, escutando as ondas. Viajariam pelas estradas do país, com as janelas do carro escancaradas e a música no último volume. Iriam passear no parque de mãos dadas. Iriam tomar café juntos, logo que acordassem, antes mesmo de tirar os pijamas. Eles seriam felizes. Juntos.

Não. Eles não foram felizes. Marcelo teve medo de dar continuidade ao relacionamento. Imaginava que, uma hora, tudo iria dar errado. Já passava pela sua cabeça a ideia de que Larissa mantinha casos com os seus antigos amigos. Tudo pioraria depois que casassem. Ricardo estava decidido a terminar com esse relacionamento, e assim o fez.

Os dois sofreram muito depois de romper.

As últimas palavras de Maria, antes de morrer, foram “Eu deixo a vida me levar. A frustração é o único efeito de tentar controlar o próprio destino”. Ela foi atropelada por um ônibus. Quando Roberto descobriu, afundou-se em remorso. “Devia ter aproveitado enquanto ela estava viva”, pensou. Deixou de amar e ser amado por praticamente motivo nenhum. Sequer teve filhos.

José teve uma vida medíocre até que a velhice. Uma gripe o levou embora. As suas últimas palavras foram “Não tive nada na vida, mas aproveitei a vida que consegui ter”.

sábado, 8 de outubro de 2011

Sempre Há Tempo

Ele levantou os trapos que o cobriam e se levantou da cama. Sua roupa larga estava começando a ficar suja, ele não a removia nunca. Deu alguns passos preguiçosos, tomando cuidado para não tropeçar com seus pés descalços. Pegou uma jarra na despensa, a destampou, colocou um pouco de água em uma caneca de madeira e bebeu. Tentou erguer sua postura corcunda espreguiçando e coçando a cabeça, enquanto olhava para a floresta pela janela. Tudo estava calmo e deprimente, como sempre esteve em sua vida solitária. Alguns pássaros voavam e o vento balançava as árvores. Tudo em seu lugar, exceto por aquela mancha azul, bem distante, se aproximando aos poucos. Ele esfregou os olhos. Estava com preguiça de acreditar no que vira. Não queria passar por tudo de novo. Voltou para a cama, e quis acreditar que dormia.

"Ré, eu sei que você está aí!" ela gritava enquanto dava murros na porta, "Me deixa entrar!". Ele só se virou na cama e tentou cobrir a cabeça com o cobertor. Ela, sem obter resposta, começou a chutar a porta. Emaré, ao ouvir o som de madeira estralando e com medo da porta ceder, se levantou. "Se você não abrir para mim, eu vou derru..." Ela dizia, antes dele silenciosamente aparecer na sua frente, com a porta já aberta. Suas olheiras profundas e seu cabelo desarrumado só intensificavam sua expressão de desgosto.

"Boa tarde", ele disse friamente. "Boa tarde", ela respondeu sem jeito, seu rosto corando. Eles ficaram se encarando na passagem da porta da casa por algum tempo. "O que você veio fazer aqui?" Ele quebrou o silêncio. "É que eu quero conversar..." Ela disse, timidamente. Ele ergueu uma sobrancelha, descontento com a resposta. "Não é tarde demais para a gente tentar de novo" Ela terminou. Ele deu as costas e fechava a porta enquanto dizia "Eu pensei que você já estava cansada de tornar a minha vida um tormento". "Espera!" Ela se exaltou, pondo-se em frente à porta, impedindo-o de fechá-la. Ele a encarou novamente, ainda descontente. Ela olhou para dentro da casa. Viu os vários livros, velas parcialmente derretidas e decorações macabras espalhados na mesa e nas estantes do humilde casebre. O pentagrama desenhado no chão com carvão. "Eu sei que você está tentando fugir do seu sofrimento. Eu não te culpo pelas coisas que você faz, eu entendo o que você sente. Eu sei que existe uma certa incompatibilidade entre nossos estilos de vida... Mas você é único para mim. Por favor, ouça o que eu tenho a dizer".

(...)

Os dois andavam lado a lado pela floresta, silenciosos. Ela ainda não tivera coragem para falar. Emaré chutava as pedras com seus pés descalços, cabisbaixo. Ela observava os grãos de poeira reluzindo nos raios de sol que passavam por entre as folhas das árvores. "Sabe, Ju... Eu não me encaixo no seu mundo. Quando éramos crianças eu até conseguia ver tudo de um ponto de vista positivo. Mas eu não queria seguir cegamente tudo o que o seus colegas hipócritas mandavam, e então me cuspiram na lama como se eu fosse sujeira em suas gargantas. E você simplesmente aceitou tudo, como se ideias não te perturbassem... Eu jamais conseguiria voltar a viver com você. Eu não suportaria ver as pessoas a quem você dá valor te rejeitando por minha causa. Ver sua vida ir por água a baixo por minha culpa seria uma tortura maior do que viver sem você. Eu achei que isso já estivesse claro, é terrível para mim te ver de novo. Você não sabe como eu fico quando volto para casa e me vejo sozinho, sem você..."

Julia fechou os olhos e parou de andar. "Me desculpa..." Ela disse, suspirando fundo. Depois olhou para frente, com o olhar apertado, e continuou a caminhada, com passos lentos. "Eu estou tão confusa... Eu quero estar ao seu lado. A minha vida tem feito cada vez menos sentido sem você. Para que viver? Às vezes eu penso..." Ela não conseguiu terminar, sua mandíbula tremia, mas ela não conseguia soltar nenhuma palavra. Emaré, que ficara a caminhada inteira olhando para frente, se virou, ao mesmo tempo curioso e preocupado com ela. "Às vezes eu penso em por um fim. Sabe? Acabar com tudo. Você é a única coisa que me solta das correntes que me prendem o tempo inteiro. As pessoas sempre exigindo de mim coisas que nem eu quero para mim mesma. Você é livre. Meu contato com você é a única coisa que me faz ver que a vida é muito mais do que as coisas que me cercam. Eu queria vir morar com você..." Emaré parou de andar. Ficou olhando para Julia com expectativa. "Por que não vem, então? Minha casa não tem espaço, mas nós podemos dar um jeito". Ela respirou fundo. "Não é bem assim... Como eu disse, existem essas correntes que me prendem. Minha família, minha casa, minha reputação, minha fé... É tão difícil escolher. Se eu considerasse só meus sentimentos, eu viria de prontidão. Mas existem tantas coisas em jogo... Acho que terminar a minha vida seria a melhor escolha para acabar com todo o meu sofrimento e com meus impasses."

Emaré acariciou o seu rosto. Julia olhou no fundo de seus olhos, suas olheiras intensificando sua expressão esperançosa. "Não pense assim. A gente pode tentar de novo, nunca é tarde demais".

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Cortar o Tempo


Uma releitura de Carlos Drummond de Andrade

Cortar o Tempo

    Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias
    A que se deu o nome de ano
    Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos
    Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez
    Com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente

    Pena que tudo acaba sendo a mesma coisa
    E cada ilusão de renovação é perdida à medida que os erros se repetem
    Outro ano perdido, e tem a impressão de estar vivendo sempre o mesmo
    Mesmo assim, quando chega o fim da vida, foram setenta anos fazendo as mesmas coisas
    E ainda temos a impressão de que não aproveitamos nada do que fizemos setenta vezes