Oi! Então.
Chegou o momento de encarar o inevitável.
Nosso relacionamento tem sido muito bom, você é incrível,
mas você sabe...
você sempre soube que pra mim isso tudo era só sexo, né?
Então...
eu ainda sinto tezão por você, mas
é que o que eu sempre gostei em você foi sua insegurança,
a sua timidez,
o seu medo de fazer alguma coisa errada.
Quando você olhava para baixo, em constrangimento,
era quando mais me dava vontade de te dominar e de te foder gostoso.
O seu jeito de me deixar te guiar... ou melhor,
o jeito com que você me obedecia em todas as minhas decisões durante o sexo,
era o que deixava o nosso relacionamento quente.
Mas agora você tem confiança.
Você já me disse "não" duas vezes,
toma decisões sem perguntar o que eu acho
e fala coisas sem o mesmo medo de me desagradar
que você tinha antes.
Você não está mais me permitindo que eu te domine,
que é o que esquentava nossa relação
e que me fazia ter vontade de trepar com você.
Então agora eu tenho outras prioridades e outras pessoas para foder,
não vamos mais desperdiçar o tempo um do outro.
domingo, 6 de maio de 2018
Eu achei um texto interessante em um blog de um rapaz esquizofrênico:
"É possível se acostumar a evitar delírios. Basta você duvidar de si mesmo a todo tempo: duvidar das suas próprias capacidades e das interpretações que você faz do mundo ao seu redor, aceitando que você não sabe de nada e que não tem como você ter certeza de nada. É um exercício de humildade. Você vai acabar duvidando dos delírios quando eles aparecerem, mesmo sem saber o que é delírio e o que não é, pois você está sempre duvidando de si mesmo."
sábado, 20 de dezembro de 2014
Regresso
Olho, fixo, não sei para onde. Minha cabeça, ocupada por pensamentos vagos, que mal se pensam e já se esquecem. Pinga uma chuva cinza. Chove! Eu fujo de mim mesmo. Não quero
me encontrar. Só vejo. As árvores, os postes, as casas. As crianças, com a bola, na rua. Eu poderia chegar mais rápido, mas não há motivo. Afinal, que motivos há na vida? Na existência? No tudo? Nada. É tudo luta,
é tudo luto. Hoje cedo, meu irmão não me fez uma videochamada. Não me falou do acampamento, dos planos, da guerra. Eu devia suspeitar. Eu suspeitei. Mas não queria esperar o pior. Tive medo, e torci pelo esquecimento,
pela falta de tempo, pelo celular sem bateria, como torcemos toda vez que não recebemos notícias. Mas sempre há aquela angústia, que tinge nossas almas de um amargo desespero, que não passa até não sabermos o que de fato
aconteceu. Sai de casa em silêncio. Foi um dia silencioso. Um dia inteiro olhando para o celular. Mas não foi do celular que veio a notícia. Seu nome estava escrito na televisão, logo após uma notícia de um ataque surpresa
que sofrêramos, em uma lista de vítimas.
Agora, volto pra casa. Minha mãe já deve estar sabendo. Contudo, a tela do meu Smartphone continua vazia. Tudo muito silencioso. O que direi? Como estará ela? Somos só
nós dois. Como será agora? E depois? E o resto? Ainda chove, vou a pé, parece que não chego nunca. Quero chegar logo, mas a cada passo pensando na minha mãe parece que o tempo passa mais devagar: Será que ela já sabe? Qual será a reação dela? O que eu vou dizer? Essa está sendo a mais longa volta para casa que eu já fiz na vida.
Abro a porta, tudo estático. Deixo de lado meu guarda-chuva, minha bota, meu silêncio. A passos pesados vou à cozinha, ela de costas para mim, apoiando-se na pia. A pia, limpa.
Vazia. Quis dizer, mas minha garganta estava seca. Suspiro, alto, e ela se vira, com uma lágrima e aquele olhar eterno. Olho para o nada, penso em nada, me sinto um nada. Me aproximo, nos olhamos. Lágrimas, um abraço.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Um Resumo
Tem merda voando por todo lado. Merda me acertando por todo lado. Rastejando e babando, como se diz, balançando sem sentido. Olha para o céu, abismo. Pare de estalar os dedos, eles estão doendo. Infinito: Um ataque do coração. Tudo caindo ao seu redor, nada mais fica em seu lugar, nada mais fica parado. Aquele espinho enterrado no dedo! O canto da unha sangrando. Lama nos joelhos, escorrendo entre os dedos. O telefone está tocando. E o coração... A gota gelada escorrendo pelas costas. Aquele suspiro que faz o peito doer. O dedo queimado, com a bolha em sua ponta. Friccionando o dedo sem pele, sensível, no outro dedo. A água está fervendo, o bule apitando. E a sirene dos bombeiros lá longe: Alguém está morrendo. Dentro da geladeira. Aquela pedra de gelo. Dedos duros, congelados. E o ponteiro dos segundos não para e não passa. A luz queimando os olhos logo que você sai de casa. A frieira, a unha encravada, a fratura exposta. A lâmpada queimou, a comida estragou (cheiro de podre). Aquela casca preta, amarga, de comida queimada: você vai ter que comer. A boca seca, logo cedo. Vômito por todo lado. E esse cheiro ruim não passa, está impregnado no seu rosto. Você está imundo.quinta-feira, 3 de abril de 2014
A Luta de Claces
Uma vez eu tive um amigo. Um verdadeiro companheiro. Quase
um irmão. Logo que saí da casa dos meus pais, para morar mais próximo do
trabalho, a gente começou a dividir os dois quartos de um apartamento. Nós
gostávamos de lutar. Fazíamos Jiu-jitsu e Muay Thai, e mesmo quando não
estávamos lutando na academia, vivíamos nos socando quando bebíamos, ou até
mesmo em casa, em momentos de tédio. E eu sempre venci as brigas. Eu era maior
e mais forte do que ele, então sempre parava na hora que achava que ele iria se
machucar muito. Mas ele sempre contou vitória, dizendo que eu tinha me cansado
e desistido. Um dia eu quis ver qual era o limite dele, o quanto ele demoraria
a desistir. E talvez, mostrar o meu desempenho máximo. Logo no começo, ele
ficou irritado. Eu também fiquei irritado com ele. E eu o matei, sem querer.
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