quinta-feira, 14 de junho de 2018

Vamos lá...


 Auto-controle. É isso que eu busco.

Eu quero. E eu não quero.

Pedir desculpas. É isso que me vem na mente. Mas já está ficando enjoativo. Eu sei que você não gosta, e está começando a parecer forçado demais... Mas realmente sinto culpa por ficar te estressando.

Eu sou tão instável... Queria me controlar melhor.

Eu me sinto muito bem. Extremamente bem. Você não sabe como eu me sinto feliz às vezes. O meu afeto por você é tão grande, que tenho vontade de te beijar quando estou feliz. Não estou brincando, por mais que eu me sinta alegre como em uma brincadeira.

Segurando um na mão do outro, girando, como duas crianças bobocas.
Caindo no chão gramado de uma colina.
Céu aberto, azul, sem nuvens.
Sol quente.
Sorriso.
Risada.
Dentes brancos, sorriso sincero.
De felicidade, de afeto.

Perfeitamente bem.
Perfeição.
Sabe o que significa isso?
Tão bem...
Tanta alegria que não cabe em mim.

Não cabe em mim. Quero dividir, mas quero dividir com alguém que eu amo. Quero dividir com você, especialmente. Por que eu quero te ver alegre quando eu estou alegre, e ao meu lado quando eu estou triste.

Sabe quando eu me sinto bem assim?
Quando você me diz “Eu te amo” “Vou lembrar de você para sempre” “Eu tenho uma conexão com você” “Estou preocupado com você”.
Eu me sinto bem quando você se importa comigo. Quando eu sei que você se importa comigo.
E você sabe que eu me importo com você mais do que eu quero que você se importe comigo. Se eu já fiz algo que te machucou, saiba que é por que você não sai da minha mente nem por um segundo. Meu esmero por você é tão irracionalmente grande que.

Eu não entendo.
Não entendo a mim mesmo.
Tudo que estou sentindo é tão diferente é tão estranho e tão bom que eu simplesmente não entendo.

Isso é tão cafona.
Se fosse no papel, eu já teria rasgado tudo. Amassado. Como fiz com vários, quando eu estava com você.

É uma paixão tão irracional.
Tão romântica.
Tão manjada.
Tão idealizada.
Que me faz parecer um babaca.

Mas não, não pode ser. Por que eu não quero casar com você. Não é esse tipo de coisa que eu quero. E eu só quero estar ao seu lado, sabendo que você está bem e feliz por estar comigo.

Eu fico feliz quando você fala sobre mim comigo.
Eu fico triste quando você fala sobre você comigo.
Por que eu que quero falar sobre você com você.
E eu quero que você fale sobre mim comigo.

Feliz e Infeliz. Feliz e infeliz. Falei tanto sobre felicidade agora. Eu te devo isso, tenho sido um saco nos últimos dias, só falando besteiras.

Não quero falar isso.
Não quero me tornar uma pessoa repetitiva.
Um cafona.
Não quero te deixar de saco cheio.
Mas uma hora eu vou ter que te dizer:
Eu te amo.

domingo, 6 de maio de 2018

Não Tem mais Graça pt.2

Oi! Então.
Chegou o momento de encarar o inevitável.
Nosso relacionamento tem sido muito bom, você é incrível,
mas você sabe...
você sempre soube que pra mim isso tudo era só sexo, né?
Então...
eu ainda sinto tezão por você, mas
é que o que eu sempre gostei em você foi sua insegurança,
a sua timidez,
o seu medo de fazer alguma coisa errada.

Quando você olhava para baixo, em constrangimento,
era quando mais me dava vontade de te dominar e de te foder gostoso.
O seu jeito de me deixar te guiar... ou melhor,
o jeito com que você me obedecia em todas as minhas decisões durante o sexo,
era o que deixava o nosso relacionamento quente.

Mas agora você tem confiança.
Você já me disse "não" duas vezes,
toma decisões sem perguntar o que eu acho
e fala coisas sem o mesmo medo de me desagradar
que você tinha antes.
Você não está mais me permitindo que eu te domine,
que é o que esquentava nossa relação
e que me fazia ter vontade de trepar com você.

Então agora eu tenho outras prioridades e outras pessoas para foder,
não vamos mais desperdiçar o tempo um do outro.


Eu achei um texto interessante em um blog de um rapaz esquizofrênico:

"É possível se acostumar a evitar delírios. Basta você duvidar de si mesmo a todo tempo: duvidar das suas próprias capacidades e das interpretações que você faz do mundo ao seu redor, aceitando que você não sabe de nada e que não tem como você ter certeza de nada. É um exercício de humildade. Você vai acabar duvidando dos delírios quando eles aparecerem, mesmo sem saber o que é delírio e o que não é, pois você está sempre duvidando de si mesmo."

sábado, 20 de dezembro de 2014

Regresso



Olho, fixo, não sei para onde. Minha cabeça, ocupada por pensamentos vagos, que mal se pensam e já se esquecem. Pinga uma chuva cinza. Chove! Eu fujo de mim mesmo. Não quero me encontrar. Só vejo. As árvores, os postes, as casas. As crianças, com a bola, na rua. Eu poderia chegar mais rápido, mas não há motivo. Afinal, que motivos há na vida? Na existência? No tudo? Nada. É tudo luta, é tudo luto. Hoje cedo, meu irmão não me fez uma videochamada. Não me falou do acampamento, dos planos, da guerra. Eu devia suspeitar. Eu suspeitei. Mas não queria esperar o pior. Tive medo, e torci pelo esquecimento, pela falta de tempo, pelo celular sem bateria, como torcemos toda vez que não recebemos notícias. Mas sempre há aquela angústia, que tinge nossas almas de um amargo desespero, que não passa até não sabermos o que de fato aconteceu. Sai de casa em silêncio. Foi um dia silencioso. Um dia inteiro olhando para o celular. Mas não foi do celular que veio a notícia. Seu nome estava escrito na televisão, logo após uma notícia de um ataque surpresa que sofrêramos, em uma lista de vítimas.
Agora, volto pra casa. Minha mãe já deve estar sabendo. Contudo, a tela do meu Smartphone continua vazia. Tudo muito silencioso. O que direi? Como estará ela? Somos só nós dois. Como será agora? E depois? E o resto? Ainda chove, vou a pé, parece que não chego nunca. Quero chegar logo, mas a cada passo pensando na minha mãe parece que o tempo passa mais devagar: Será que ela já sabe? Qual será a reação dela? O que eu vou dizer? Essa está sendo a mais longa volta para casa que eu já fiz na vida.
Abro a porta, tudo estático. Deixo de lado meu guarda-chuva, minha bota, meu silêncio. A passos pesados vou à cozinha, ela de costas para mim, apoiando-se na pia. A pia, limpa. Vazia. Quis dizer, mas minha garganta estava seca. Suspiro, alto, e ela se vira, com uma lágrima e aquele olhar eterno. Olho para o nada, penso em nada, me sinto um nada. Me aproximo, nos olhamos. Lágrimas, um abraço.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Um Resumo

Tem merda voando por todo lado. Merda me acertando por todo lado. Rastejando e babando, como se diz, balançando sem sentido. Olha para o céu, abismo. Pare de estalar os dedos, eles estão doendo. Infinito: Um ataque do coração. Tudo caindo ao seu redor, nada mais fica em seu lugar, nada mais fica parado. Aquele espinho enterrado no dedo! O canto da unha sangrando. Lama nos joelhos, escorrendo entre os dedos. O telefone está tocando. E o coração... A gota gelada escorrendo pelas costas. Aquele suspiro que faz o peito doer. O dedo queimado, com a bolha em sua ponta. Friccionando o dedo sem pele, sensível, no outro dedo. A água está fervendo, o bule apitando. E a sirene dos bombeiros lá longe: Alguém está morrendo. Dentro da geladeira. Aquela pedra de gelo. Dedos duros, congelados. E o ponteiro dos segundos não para e não passa. A luz queimando os olhos logo que você sai de casa. A frieira, a unha encravada, a fratura exposta. A lâmpada queimou, a comida estragou (cheiro de podre). Aquela casca preta, amarga, de comida queimada: você vai ter que comer. A boca seca, logo cedo. Vômito por todo lado. E esse cheiro ruim não passa, está impregnado no seu rosto. Você está imundo.